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ESCOLA SECUNDÁRIA DE CAMÕES    

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Designações:

Nome de origem: "Liceu Nacional de Lisboa"

Em 1906: "Liceu Central da 1ªzona escolar de Lisboa"

Em 1908: "Liceu de Camões"

Em 1936: "Liceu Nacional de Camões"
 

Género:

No início: Liceu Misto

A   partir de 1935: Liceu masculino

 
 

Criação:

No início do séc. XX, Lisboa tinha apenas um liceu. Em 1902, foi criado um segundo liceu, mas este seria apenas liceu nacional, o que fazia com que não tivesse cursos complementares.

O serviço de reitoria era comum aos dois liceus.

Uma das primeiras dificuldades com que se deparou este liceu foi  o problema da instalação física deste. O local eleito foi o Palácio da Regaleira, no Largo de S. Domingos. O liceu não dispunha de laboratórios, gabinetes de Física, Química e Zoologia, nem de um recreio apropriado.

Dois anos depois, Lisboa foi dividida em três zonas escolares, ficando o Liceu Nacional, que então ascende a "central", na 1ª zona e adquirindo assim a sua autonomia em relação ao outro liceu.

Devido a este ser central, veio abranger uma vasta área geográfica, o que fez com que as dificuldades de instalações se agravassem, pois o número de alunos começou a aumentar.

Em 1907, o Governo autoriza a aquisição de terreno, construção de um edifício e aquisição de mobiliário para este liceu. Este novo edifício veio a ser inaugurado em 1909.

Instalações:

Desde o começo do novo edifício, que houve a intenção de tornar o liceu numa referência da arquitectura escolar e também no exemplo de capacidade de resolução de problemas associados a uma obra deste género. Este liceu, ao contrário dos outros da época foi construido a pensar no elevado número de alunos que ia receber, e por isso adoptaram um modelo mais simples de construção recorrendo aos novos materiais da época: ferro e tijolo.

Este foi previsto para cerca de 600 alunos e situava-se no Largo do Matadouro Municipal. No entanto, e apesar da óptima construção, o liceu foi alvo de críticas devido à nova arquitectura e à isolação que tinha da população.

O valores de funcionalidade expressos no espaço interior do liceu Camões, constituirão factores de referência em programas futuros dessa natureza. Pela primeira vez no nosso país, foi englobado um conjunto de infra-estruturas associadas à prática do exercício físico em estabelecimentos de ensino, dos quais se destacam os espaços para natação, ginástica e banhos.

Em 1909, o liceu foi transferido para a actual Praça José Fontana. Este era um edifício construído de raiz com óptimas condições pedagógicas, que vem dar lugar à possibilidade de terem 30 professores e 19 turmas de alunos.

Neste novo edifício, já havia uma cantina e é criada uma associação de estudantes. Esta associação tinha como objectivos principais o desenvolvimento físico e intelectual dos seus sócios, bem como a beneficência em prol dos mais desfavorecidos. Para isso, realizavam conferências, jogos e aulas de esgrima para os sócios. É de referir que, todas as actividades eram previamente aprovadas pelo reitor.

Em 1917, já com novo reitor, a Associação Académica do Liceu sofreu novas reestruturações devido à nova política de controlo do liceu. Estas novas medidas foram alvo de contestação por parte dos alunos, chegando mesmo a haver greves.

Apesar de tudo, esta associação cresceu até meados da década de 30 e mais tarde, com a implantação da Mocidade Portuguesa as suas actividades foram extintas e o número de associados diminuiu.

Em 1927, foram construídos dois pavilhões destinados aos gabinetes de Física e de Química. Esta construção procurou corresponder às últimas reformas do ensino, nomeadamente a de Ginestral Machado, que pretendia promover uma pedagogia aliada à experimentação. Tinha também como objectivo, promover um maior número de salas perante a crescente procura dos liceus e tinha ainda como objectivo afastar das instalações principais os laboratórios, pois estes eram mais propícios a acidentes.

O regime de coeducação dos sexos começa em 1936, a ser limitada ao curso geral dado na Quinta da Nazaré, que funciona pela primeira vez no ano lectivo de 1932/33. Este regime de coeducação teve o seu fim com a entrada da Mocidade Portuguesa.

É de referir que este estabelecimento tinha excelentes condições ao nível da organização da cantina escolar. Esta tinha quatro secções, refeitório, pastelaria, livraria e papelaria. E para além das boas condições, este serviço patrocinou os prémios decorrentes dos registos periodais nos Quadros de Honra. É ainda de referir que a Cantina Escolar implantou no liceu dois campos de Ténis, suportou alguns dos custos da instalação do cinema educativo, subsidiou a execução de jardins e ajudou no desenvolvimento do semi-internato, cujo objectivo era desenvolver nos alunos hábitos de estudo.

Em consequência de todas estas intervenções, o edifício do liceu teve de ser remodelado. Estas obras tiveram lugar no período de 1935 a 1940.

O liceu foi perdendo algum prestígio devido ao envelhecimento de alguns professores que entretanto se reformaram, como é o caso de Rómulo de Carvalho. 

No ano de 1947, com a reforma  Pires de Lima, é reintroduzido o regime de classes.

Traços Liceais:

 O quotidiano do liceu foi marcado pela participação nas actividades da Mocidade Portuguesa, mas nos anos 60 registou-se alguma diversificação nas actividades de âmbito cultural. Destas é de destacar, a criação da rádio no liceu em 1961.

Entre os anos de 50 a 60 houve uma maior identificação dos alunos e professores com o liceu. Em 1960 é assinalado o duplo cinquentenário deste liceu na qual é realizada uma comemoração.

Um momento marcante na vida do liceu, foi a sua expansão com a abertura de secções em Alvalade (1956/57) e no Areeiro (1958/59). Esta última medida para além de visar a extensão cultural do liceu, visa também o combate ao cada vez maior número de alunos a frequentar o liceu. Apesar de tudo, em 1972 o liceu que foi inicialmente previsto para cerca de 600 alunos, tinha cerca de 2200.

Conclusão:

Este liceu ficou marcado pela forte cultura organizacional e pedagógica, transmitindo assim, uma imagem de prestígio.

A partir dos anos 50, registou-se uma maior identificação de alunos e professores com o liceu, que resulta sobretudo do modelo de gestão adoptado, nomeadamente depois da reforma de 1947. "Este foi nitidamente, a afirmação pública do liceu que é fundada na excelência da cultura académica e pedagógica dos seus professores" (Carlos Miguel Manique da Silva).