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Criação:
No início do séc. XX, Lisboa tinha apenas
um liceu. Em 1902, foi criado um segundo liceu, mas este
seria apenas liceu nacional, o que fazia com que não
tivesse cursos complementares.
O serviço de reitoria era comum aos dois
liceus.
Uma das primeiras dificuldades com que se
deparou este liceu foi o problema da instalação física
deste. O local eleito foi o Palácio da Regaleira, no
Largo de S. Domingos. O liceu não dispunha de
laboratórios, gabinetes de Física, Química e Zoologia,
nem de um recreio apropriado.
Dois anos depois, Lisboa foi dividida em
três zonas escolares, ficando o Liceu Nacional, que
então ascende a "central", na 1ª zona e adquirindo assim
a sua autonomia em relação ao outro liceu.
Devido a este ser central, veio abranger
uma vasta área geográfica, o que fez com que as
dificuldades de instalações se agravassem, pois o número
de alunos começou a aumentar.
Em
1907, o Governo autoriza a aquisição de terreno,
construção de um edifício e aquisição de mobiliário para
este liceu.
Este novo edifício veio a ser inaugurado em 1909.
Instalações:
Desde o começo do novo edifício, que
houve a intenção de tornar o liceu numa referência da
arquitectura escolar e também no exemplo de capacidade
de resolução de problemas associados a uma obra deste
género. Este liceu, ao contrário dos outros da época foi
construido a pensar no elevado número de alunos que ia
receber, e por isso adoptaram um modelo mais simples de
construção recorrendo aos novos materiais da época:
ferro e tijolo.
Este foi previsto para cerca de 600
alunos e situava-se no Largo do Matadouro Municipal. No
entanto, e apesar da óptima construção, o liceu foi alvo
de críticas devido à nova arquitectura e à isolação que
tinha da população.
O valores de funcionalidade expressos no
espaço interior do liceu Camões, constituirão factores
de referência em programas futuros dessa natureza. Pela
primeira vez no nosso país, foi englobado um conjunto de
infra-estruturas associadas à prática do exercício
físico em estabelecimentos de ensino, dos quais se
destacam os espaços para natação, ginástica e banhos.
Em 1909, o liceu foi transferido para a
actual Praça José Fontana. Este era um edifício
construído de raiz com óptimas condições pedagógicas,
que vem dar lugar à possibilidade de terem 30
professores e 19 turmas de alunos.
Neste novo edifício, já havia uma cantina
e é criada uma associação de estudantes. Esta associação
tinha como objectivos principais o desenvolvimento
físico e intelectual dos seus sócios, bem como a
beneficência em prol dos mais desfavorecidos. Para isso,
realizavam conferências, jogos e aulas de esgrima para
os sócios. É de referir que, todas as actividades eram
previamente aprovadas pelo reitor.
Em 1917, já com novo reitor, a Associação
Académica do Liceu sofreu novas reestruturações devido à
nova política de controlo do liceu. Estas novas medidas
foram alvo de contestação por parte dos alunos, chegando
mesmo a haver greves.
Apesar de tudo, esta associação cresceu
até meados da década de 30 e mais tarde, com a
implantação da Mocidade Portuguesa as suas actividades
foram extintas e o número de associados diminuiu.
Em 1927, foram construídos dois pavilhões
destinados aos gabinetes de Física e de Química. Esta
construção procurou corresponder às últimas reformas do
ensino, nomeadamente a de Ginestral Machado, que
pretendia promover uma pedagogia aliada à
experimentação. Tinha também como objectivo, promover um
maior número de salas perante a crescente procura dos
liceus e tinha ainda como objectivo afastar das
instalações principais os laboratórios, pois estes eram
mais propícios a acidentes.
O regime de coeducação dos sexos começa
em 1936, a ser limitada ao curso geral dado na Quinta da
Nazaré, que funciona pela primeira vez no ano lectivo de
1932/33. Este regime de coeducação teve o seu fim com a
entrada da Mocidade Portuguesa.
É de referir que este estabelecimento
tinha excelentes condições ao nível da organização da
cantina escolar. Esta tinha quatro secções, refeitório,
pastelaria, livraria e papelaria. E para além das boas
condições, este serviço patrocinou os prémios
decorrentes dos registos periodais nos Quadros de Honra.
É ainda de referir que a Cantina Escolar implantou no
liceu dois campos de Ténis, suportou alguns dos custos
da instalação do cinema educativo, subsidiou a execução
de jardins e ajudou no desenvolvimento do
semi-internato, cujo objectivo era desenvolver nos
alunos hábitos de estudo.
Em consequência de todas estas
intervenções, o edifício do liceu teve de ser
remodelado. Estas obras tiveram lugar no período de 1935
a 1940.
O liceu foi perdendo algum prestígio
devido ao envelhecimento de alguns professores que
entretanto se reformaram, como é o caso de Rómulo de
Carvalho.
No ano de 1947, com a reforma Pires de
Lima, é reintroduzido o regime de classes.
Traços
Liceais:
O
quotidiano do liceu foi marcado pela participação nas
actividades da Mocidade Portuguesa, mas nos anos 60
registou-se alguma diversificação nas actividades de
âmbito cultural. Destas é de destacar, a criação da
rádio no liceu em 1961.
Entre os anos de 50 a 60 houve uma maior
identificação dos alunos e professores com o liceu. Em
1960 é assinalado o duplo cinquentenário deste liceu na
qual é realizada uma comemoração.
Um momento marcante na vida do liceu, foi
a sua expansão com a abertura de secções em Alvalade
(1956/57) e no Areeiro (1958/59). Esta última medida
para além de visar a extensão cultural do liceu, visa
também o combate ao cada vez maior número de alunos a
frequentar o liceu. Apesar de tudo, em 1972 o liceu que
foi inicialmente previsto para cerca de 600 alunos,
tinha cerca de 2200.
Conclusão:
Este liceu ficou marcado pela forte
cultura organizacional e pedagógica, transmitindo assim,
uma imagem de prestígio.
A partir dos anos 50, registou-se uma
maior identificação de alunos e professores com o liceu,
que resulta sobretudo do modelo de gestão adoptado,
nomeadamente depois da reforma de 1947. "Este
foi nitidamente, a afirmação pública do liceu que é
fundada na excelência da cultura académica e pedagógica
dos seus professores"
(Carlos Miguel Manique da Silva).
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